Alyosha & Zosima

Personal poetry in different languages.

❛In principio erat Verbum.❜ A.I. Free

O blues do fado

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O fado tem sido
Sempre tão triste
Quanto um blues.
Uma gota d’água,
A qual é cheia com
A extensão e o peso
Do oceano Atlântico,
Separa a sua solidão.
Só as suas lágrimas,
Mais fartas do que o
Seu sangue saudade,
Tem o mesmo gosto,
Aquele d’água azul.

O fado era uma reza
A qual divas violadas,
Nos dever e devoção
Pela nossa devassidão,
Cantavam sem dançar,
Sem rimas ou razões,
Para evitar de ouvirem
Os palavrões e os risos
De maridos das mares
Que crêem nas sereias
E pagam para estarem
Bêbados, quase felizes
Ao ouvirem esta ópera
Das Madalenas da mar.
Fartos antes das damas,
Os marinheiros vão-se.

Depois de ter comprado
A beleza sem uma cara
De mulheres sem mães,
Os viajantes vão vender
Homens que já não têm
Os nomes dos seus pais,
Remotos da raça, da raiz.
E de noite, estes estranhos
Têm a esposa do castrado,
O qual queria que morresse,
Porque não é permitido a ele
Que ele mate o inimigo dele.

Era a era o império dos
Piratas sem uma piedade,
Corsários sem corações,
Para homens cujos pele
Era menos negra do que a
Alma daqueles almirantes,
Mercadores de suor e dores.
Nas plantações das Américas
Umas mãos morenas colhem
Nuvens de flores de algodão
Envolto em solão e espinhos.
Sangue forte azul evapora-se
Ao cantar o blues duma reza.

A branca, a negra, todas as raízes
O homem, a mulher, dois artistas
O fado, o blues, uma única música,
Esta das pessoas que compartilham
A cor, a dor, amor - a arte da solidão.

Quarta-feira, 5 de Março de 2014
Jean-Michel LEON-FOUN-LIN